As vezes a gente chega em casa e tá tão destruído, tão acabado pelo stress do dia a dia, que nada é melhor do que sentar no sofá e poder ouvir uma música relaxante. No meu caso se quero relaxar, preciso e um álbum inteiro, então fico com o entrigrante e profundo Hopes And Fears da banda inglesa Keane.
O Keane é um velho conhecido aqui em casa, porque sempre que algo está perturbando meu juízo, coloco seus dois primeiros álbuns para tocar e deixo num volume bom o suficiente para não perturbar os vizinhos e ainda conseguir imergir totalmente nas suas atmosferas.
Dos dois álbuns, o Hopes And Fears, primeiro trabalho do Keane, é o mais calmo e conta com o primeiro sucesso da banda, Everybody’s Changing. O legal desses álbum é a capacidade que tem de atingir ao mesmo tempo o ouvido, o peito e a cabeça de quem está precisando de uma momento de paz. Ele apresenta um Keane horas depressivo, horas reflexivo que toca o ouvinte com suas letras extramente líricas e melodias doces e pesadas (feito sonho de padaria). Nem as músicas mais “animadas” conseguem chegar num tom onde o ambiente sugerido saia da idéia de que estamos vendo cenas em câmera lenta.
A melhor forma de definir o Hopes And Fears está no seu próprio nome, porque todo o álbum sugere um misto de esperança e medo sendo mostrados de uma forma não ameaçadora que acaba por convidar o ouvinte a entrar num mundo composto pelas suas próprias esperanças e medos.
Musicalmente é uma experiência bem diferente dos estilos que estavam em alta quando foi lançado em 2004 e até hoje em dia pode soar como novidade para quem já está acostumado com bandas relativamente parecidas. E por mais engraçado que possa parecer, o diferencial não está na presença de um teclado e sim a forma como ele sobrevive mesmo ao lado de outros sons mais fortes como o baixo, incrivelmente previsível e despótico.
Se você também tem dias estressantes, o melhor é dar o play e voar junto com o Hopes And Fears.